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De uma maneira
geral:
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A Anorexia
Nervosa é muito mais freqüente em adolescentes do sexo feminino do que
masculino. Pode aparecer na idade adulta.
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Quanto mais tarde aparece, melhor é
a evolução.
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Anoréxicas não
acham que estão doentes nem aceitam se tratar.
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Bulímicas procuram tratamento, incentivam outras
mulheres a se tratar, etc.
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Anoréxicas
preferem trocar idéias sobre dietas, laxantes, diuréticos, técnicas de provocar
vômitos e como enganar a família e o médico.
Para os pais:
Na primeira
consulta os pais querem "ouvir tudo sem dourar a pílula".
Depois, acham que
o médico foi duro e radical.
Dali alguns meses
verão que essa "dureza" tinha sentido. Por mais que os pais e os
médicos achem que estão controlando a situação, as Anoréxicas são sempre mais espertas. Não acreditem em quem promete um jardim
de rosas para o tratamento. Em Anorexia Nervosa não existem jardins de rosas.
O desgaste para
a família, terapeutas, médicos e acompanhantes é grande. Raramente a paciente
se trata por muito tempo com a mesma equipe que diagnosticou e iniciou o
tratamento.
Sintomas e
sinais:
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Emagrecimento. Anoréxicas
com 42 Kg são consideradas de peso bom. Freqüentemente o peso chega a 36
Kg ou menos.
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Vômitos provocados com os
dedos, com cabos de colher, com arames, com contrações abdominais, etc.
Elas vomitam no banheiro, no chuveiro, em vasos de plantas, sacos
plásticos, papel higiênico, onde for possível. Se não vomitarem se
sentem sujas por dentro e "estufadas".
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Quando se consegue que elas
façam refeições com a família, sempre há um motivo para saírem da mesa
logo que acabam de comer. Geralmente vão ao banheiro vomitar em segredo.
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Amenorréia (interrupção da menstruação). A menstruação pode
cessar antes de perda de peso grave (a desnutrição não é a única causa
da amenorréia) e pode voltar antes de um ganho de peso importante.
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Destruição do esmalte
dentário (por causa dos vômitos).
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Pele seca e amarelada,
cabelos finos, secos e quebradiços (pela desnutrição).
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Excesso de exercícios
físicos.
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Visão distorcida do
próprio corpo. As anoréxicas nunca acham que estão magras o suficiente.
Elas se olham no espelho e vêem os seios e o abdômen grandes demais.
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Uso (geralmente escondido)
de diuréticos, laxantes, hormônios de tireóide e pílulas para emagrecer.
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Comorbidade (doenças
concomitantes) com Depressão, DOC principalmente alternância de fases com
Bulimia.
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Isolamento social. São
retraídas, pouco expansivas, quase sem amigos, não tem namorado,
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Adoram cozinhar e servir
comida para os outros.
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Geralmente são meninas
inteligentes, perfeccionistas e bonitas.
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Acham que o tratamento é
totalmente desnecessário. Vão ao médico apenas para que a família as
deixem em paz.
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Alternância com fases de
Bulimia, quando comem tudo que está pela frente, a ponto dos pais terem que
trancar a despensa da casa.
Causas.
Com certeza
existe mais de uma causa e ela certamente não é só emocional ou psicológica. Quem já viu uma Anoréxica de 40 KG sair de um
hospital e continuar achando que não está doente vai me entender. Provavelmente existem componentes psicológicos, biológicos,
ambientais e culturais. A impressão que temos é que por motivos sociais ou
profissionais começa um emagrecimento e depois de um certo ponto algum mecanismo
cerebral toma conta da menina e assume o comando.
Tratamento.
O tratamento é
sempre multi profissional, talvez o mais multi profissional de toda a
psiquiatria.
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Antidepressivos
e outros medicamentos, conforme a situação.
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Psicoterapia.
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Orientação
Nutricional.
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Orientação
familiar, pois é uma luta de anos
Quando o médico
disse que é grave, ele não exagerou. A Anorexia tem índice de mortalidade entre 10 e
30% assim como muitas complicações clínicas:
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Metabólicas: hipotermia,
desidratação, perda de potássio, magnésio, cálcio, fósforo, aumento de
colesterol, hipoglicemia.
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Cardiovasculares: hipotensão,
bradicardia, arritmias cardíacas, etc.
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Imunológicas: baixa de
resistência a infecções.
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Gastroenterológicas: cáries,
erosão de esmalte dentário, hipertrofia de glândulas salivares, obstipação
intestinal, cólon irritável, etc.
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Hematológicas: anemia,
diminuição de proteínas, etc.
Leia o depoimento de uma
anoréxica, que ilustra bem tudo que foi escrito.
"Com 12 anos, 1.60 de
altura e 49 kg me achava gorda e tinha vergonha da minha barriga. Achava bonito
modelos magras tipo Shirley Mallmann. Comecei a fazer um regime
"básico" e me exercitar. Com 13 anos pesava 36 kg e ainda me achava
gorda. Fazia de 1 a 2 horas de exercício 6x por semana. Então comecei a
vomitar e de vez em quando "atacar a geladeira. Sem perceber tinha me
afastado de todos meus amigos, chorava muito e tinha vontade de morrer. Me
sentia tonta e minha mãe resolveu me levar no médico. Ele receitou que 3x por
semana fosse ao hospital tomar soro. Minha mãe acatou mas eu reagi e disse que
estava me sentindo bem e que amanhã comeria direito. Então me levavam, a
força, para fazer soro 1x por semana. Com isso comia menos ainda porque pensava
que o soro engordava. Com 32 kg, minha mãe estava desesperada descobriu que
estava vomitando. Foi quando descobrimos a Dra. X. Aceitei ir pq pensei que iria
ser como os outros médicos; eu dizia que não iria comer e não comia. Com 30
kg e muito desnutrida ela queria me internar pq estava com anorexia nervosa. Na
primeira semana não cumpri nada. Quando voltei eu e meus pais levamos uma
bronca. Aí meus pais começaram a ficar em cima mesmo. Mas ainda assim
burlava-os e escondia comida nos bolsos e vomitava depois. Proibida de
exercícios acordava de madrugada para me exercitar. Logo mamãe descobriu. A
Dra. X me deu uma semana para aumentar de 500g a 1 kg se não iria me internar.
Eu achava que meus pais nunca iriam permitir. Na outra semana, quando fui me
consultar havia perdido 200g, então falou com meus pais e se eu não fosse
internada ela se negaria a me tratar, acabei sendo internada. No dia 23 de
dezembro de 1997 com 30 kg e 13 anos fui internada no hospital Y, foi quando
começou o período mais difícil do tratamento, comecei a dizer que iria fazer
greve de fome, a Dra. me deu 4 dias para aumentar 400g e trouxe a sonda ao meu
quarto mostrando o que iria acontecer se eu não começasse a comer, vi que eu
não tinha outra opção e comecei o comer. Mesmo internada eu continuava
colocando comida dentro dos bolsos e vomitando em vasos de flor, meu banheiro
ficava chaveado 24 horas por dia e quando precisava ocupá-lo uma enfermeira me
acompanhava. Restrita de visitas de familiares e amigos eu chorava muito, foram
3 meses e meio de sofrimento. Voltei para casa na Páscoa para fazer um teste de
como eu me comportaria. Como me comportei e comia direitinho não voltei mais
pro hospital. a Dra. liberou os exercícios, comecei nadando duas vezes por
semana. Quando voltei pra casa não saía de casa porque me achava gorda e não
queria que ninguém me vice assim. com 1m e 56 kg me achava gorda e tive uma
pequena recaída. Fui forçada a recuperar ou voltaria para o hospital,
novamente não tive saída e voltei aos 50 kg com muito esforço. Chegou o
verão e eu só ia pra piscina de maiô pois tinha vergonha da minha barriga.
aos poucos, com os exercícios minha barriga foi se definindo e minha auto
estima subindo. Hoje faço academia 2 vezes por semana e de dois em dois meses
vou fazer revisão na Dra. X, ainda faço terapia com minha Psiquiatra 2 vezes
por mês. Estou com 1,65m de altura e 51 kg. Ainda tenho um pouco de medo de
comer mas, também tenho medo de recaídas. Hoje tenho consciência de que se
não tivessem me internado o tratamento, em casa, jamais daria certo."
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